A cena é de uma velha casa empoleirada no
topo da colina mais alta de Edimburgo,
o Trono de Arthur; os restos deste Rei devem estar dispostos no topo
desse vulcão adormecido em quartzo azul. O telhado desta casa é criativamente
pontiagudo. A chaminé, na forma de faca de açougueiro, sublinha as estrelas. A
lua se mostra um quarto. Não há ninguém por perto, apenas árvores.
Dentro, tudo é feito de madeira, como se a
casa tivesse sido esculpida de um gigantesco pinheiro. É como andar em um
abrigo feito de um tronco: vigas inacabadas expostas, pequenas janelas
resgatadas do cemitério de trens, e uma baixa mesa cortada d’um toco de árvore.
Almofadas cheias de folhas mortas completam a atmosfera que lembra um ninho.
Inúmeros partos clandestinos ocorrem nesta casa.
Aqui vive a estranha Dra. Madeleine, a
parteira – também conhecida como “aquela louca” pelos residentes da cidade – que
é até bonita para uma velha senhora. Ela ainda possui um brilho no olhar, mas
seu sorriso é apenas um tique, revelando uma conexão solta em sua fiação
facial.
Dra. Madeleine trás para o mundo as crianças de
prostituas e mulheres abandonadas, que são muito novas ou muito infiéis para
dar a luz de forma convencional. Assim como ajudar novas vidas, Dra. Madeleine
ama consertar as pessoas. Ele é especialista em próteses mecânicas, olhos de
vidros, pernas de pau... Não há nada que você não encontre em sua oficina.
Como o século dezenove caminha para o seu
fim, é preciso um pouco mais para ser suspeito de bruxaria. Na cidade, as
pessoas dizem que Madeleine mata os recém nascidos para modelar escravos a
partir do ectoplasma, e que ela dorme com todos os tipos de pássaros para
conceber monstros.
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