domingo, 20 de novembro de 2011

Capítulo 01 - Parte 02



A cena é de uma velha casa empoleirada no topo da colina mais alta de Edimburgo,  o Trono de Arthur; os restos deste Rei devem estar dispostos no topo desse vulcão adormecido em quartzo azul. O telhado desta casa é criativamente pontiagudo. A chaminé, na forma de faca de açougueiro, sublinha as estrelas. A lua se mostra um quarto. Não há ninguém por perto, apenas árvores.

Dentro, tudo é feito de madeira, como se a casa tivesse sido esculpida de um gigantesco pinheiro. É como andar em um abrigo feito de um tronco: vigas inacabadas expostas, pequenas janelas resgatadas do cemitério de trens, e uma baixa mesa cortada d’um toco de árvore. Almofadas cheias de folhas mortas completam a atmosfera que lembra um ninho. Inúmeros partos clandestinos ocorrem nesta casa.

Aqui vive a estranha Dra. Madeleine, a parteira – também conhecida como “aquela louca” pelos residentes da cidade – que é até bonita para uma velha senhora. Ela ainda possui um brilho no olhar, mas seu sorriso é apenas um tique, revelando uma conexão solta em sua fiação facial.

Dra. Madeleine trás para o mundo as crianças de prostituas e mulheres abandonadas, que são muito novas ou muito infiéis para dar a luz de forma convencional. Assim como ajudar novas vidas, Dra. Madeleine ama consertar as pessoas. Ele é especialista em próteses mecânicas, olhos de vidros, pernas de pau... Não há nada que você não encontre em sua oficina.

Como o século dezenove caminha para o seu fim, é preciso um pouco mais para ser suspeito de bruxaria. Na cidade, as pessoas dizem que Madeleine mata os recém nascidos para modelar escravos a partir do ectoplasma, e que ela dorme com todos os tipos de pássaros para conceber monstros.


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