quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Capítulo 01 - Parte 03



Durante seu longo trabalho de parto, minha mãe assiste distraidamente os flocos de neve e os pássaros silenciosamente esmagarem seus rostos contra a janela. Ela é muito jovem, como uma criança brincando de ser grávida. Ela se sente pessimista; ela sabe que não vai ficar comigo. Ela mal consegue baixar seu rosto e olhar para sua barriga, que está prestes a explodir. Assim como eu ameaço chegar, suas pálpebras fecham sem forçar. Sua pele se confunde com os lençóis: como se a cama a estivesse sugando, como se ela estivesse derretendo.

Ela já estava chorando durante a subida na colina para chegar aqui. Suas lágrimas congeladas rolavam pelo chão, como contas de um colar quebrado. Enquanto andava, um carpete de bolas brilhantes se movimentava sob seus pés. Ela começou a esquiar, logo viu que não conseguiria parar. A cadência de seus passos se tornou mais rápida. Seu salto ficou preso, seu calcanhar torceu e ela se debruçou no chão. Dentro dela, eu fiz o som como o de um porquinho de louça quebrando.

Dra. Madeleine é minha primeira visão. Seus dedos pegam meu crânio em forma de azeitona – uma bola de rugby em miniatura – e então no acolhemos pacificamente.

Minha mãe prefere virar o rosto. De qualquer forma,  suas pálpebras não querem mais funcionar. ‘Abra os seus olhos! Olhe para essa miniatura de floco de neve que você fez!






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