Durante seu longo trabalho de parto, minha
mãe assiste distraidamente os flocos de neve e os pássaros silenciosamente
esmagarem seus rostos contra a janela. Ela é muito jovem, como uma criança
brincando de ser grávida. Ela se sente pessimista; ela sabe que não vai ficar
comigo. Ela mal consegue baixar seu rosto e olhar para sua barriga, que está
prestes a explodir. Assim como eu ameaço chegar, suas pálpebras fecham sem
forçar. Sua pele se confunde com os lençóis: como se a cama a estivesse
sugando, como se ela estivesse derretendo.
Ela já estava chorando durante a subida na
colina para chegar aqui. Suas lágrimas congeladas rolavam pelo chão, como
contas de um colar quebrado. Enquanto andava, um carpete de bolas brilhantes se
movimentava sob seus pés. Ela começou a esquiar, logo viu que não conseguiria
parar. A cadência de seus passos se tornou mais rápida. Seu salto ficou preso,
seu calcanhar torceu e ela se debruçou no chão. Dentro dela, eu fiz o som como o
de um porquinho de louça quebrando.
Dra. Madeleine é minha
primeira visão. Seus dedos pegam meu crânio em forma de azeitona – uma bola de
rugby em miniatura – e então no acolhemos pacificamente.
Minha mãe prefere virar o
rosto. De qualquer forma, suas
pálpebras não querem mais funcionar. ‘Abra
os seus olhos! Olhe para essa miniatura de floco de neve que você fez!’
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