CAPÍTULO DOIS
“Um coração improvisado, espinha enferrujada,
e uma viagem à base da montanha.”
Todo dia, Madeleine tem
visitantes batendo em sua porta. Pacientes acabam por aqui quando estão com
algo quebrado e não podem pagar um médico ‘qualificado’. Estando ela afinando,
ou remendando e discutindo, Madeleine gosta de mexer com o coração das pessoas.
Eu não acho meu coração de cuco esquisito quando escuto um paciente reclamando
de sua espinha enferrujada.
‘É feita de metal, o que você
esperava?’
‘Eu já prescrevi um guarda chuva
para você. Eu sei que pode ser difícil encontrar um na farmácia. Irei
emprestar o meu dessa vez, mas tente conseguir um antes da nossa próxima consulta.’
Obrigado a sentar no sofá, eu
aguardo minha vez. Eu sou o menor modelo; é quase possível me espremer em uma
caixa de meias. Quando os prospectivos pais viram sua atenção para mim, sempre
começam com um sorriso falso, até que um deles indaga: ‘De onde este tic-tac está vindo?’
É quando a médica me senta em seu colo, desabotoa minha roupa e revela meu curativo. Alguns se assustam, outros apenas viram o rosto e dizem:
‘Oh meu Deus! O que diabos é essa
coisa?’
‘Se dependesse de Deus, nós não
estaríamos conversando agora. Esta “coisa”,
como você chama, é um relógio que permite que o coração desta criança bata
normalmente.’ responde ela, seca.
O jovem casal se olha,
embaraçados, e saem para cochichar no próximo aposento, mas o veredicto é
sempre o mesmo.
‘Não, obrigado. Podemos ver
outras crianças?’
‘Sim, me sigam, eu tenho duas
garotinhas que nasceram durante a semana do natal’, ela sugere, animada.
Tocante!!!!
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